Quando olhei a terra ardendo, eu vi mais do que queria. Como
se pode viver sem água? Apenas os olhos a conhecem bem, lágrimas se confundem
com o sorriso e a fé em Deus. A chuva que decidiu não cair por mais de dois anos,
deixando os sertanejos, que sobrevivem em meio a ossadas do seu sustento, ao
alento em busca de ar para continuar vivendo.
Eu perguntei
a Deus do céu por que tamanha judiação. Um povo de coração nobre, criado a base
de conceitos familiares, aonde se pede benção dos mais velhos, e as crianças
aprendem o valor do trabalho duro desde cedo. A enxada é a arma que possuem
para cultivar a vida, o suor, e o respeito. Alguns pensam que são pobres
coitados, mas são mais felizes do que muitos empresários que conheço.
Água é
riqueza. Nós da cidade, ainda não conseguimos entender o que isso significa,
pois a desperdiçamos com frequência. Banhos demorados, torneira aberta,
mangueira ligada. Na abundância de água, o tolo sente sede, pois com a sua
ignorância não consegue notar a realidade na qual está inserido. Mas, quem mora
no sertão conhece exatamente a sua importância para a humanidade. Na escassez
de qualquer recurso, se sente a falta devida. Da sua terra. Família. Da sua
vida. Pois “inté” mesmo a asa branca bateu asas no sertão. E voou.
Uma grande
polêmica. A transposição do “Velho Chico” irrigaria os lugares mais atingidos
pela seca. A obra era para ser entregue no fim do ano passado, mas menos da
metade foi concluído, e já custa mais do que o dobro previsto. Nós pagamos essa
conta com dinheiro, e os que precisam da água pagam com a vida, dos seus bois e
vacas. A sua.
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